ENTREVISTA

O lado B de Francis Hime por outras vozes

Um time escolhido a dedo interpreta 15 canções pouco conhecidas do compositor, entre eles, Zeca Pagodinho, Ivete Sangalo e Mart'nália


Divulgação/Guilherme Viotti

Prestes a comemorar 70 anos, Francis Hime prepara disco de inéditas para o ano que vem
Ao ouvir determinada música em sua versão original, você já parou para imaginar que ela também renderia uma bela interpretação na voz de outro artista? O maestro, compositor, cantor e arranjador Francis Hime não só imaginou como tornou verdade em Álbum Musical 2, lançado pela gravadora Biscoito Fino.

Com produção de Olívia Hime, o disco contempla 15 canções de sua carreira consideradas ''lado B'', agora registradas em novos timbres e arranjos. Zeca Pagodinho empresta a voz para ''Amor Barato''; Ivete Sangalo canta ''Quadrilha''; Lenine entoa ''Um Carro de Boi'' (esta, a única parceria de Francis com Gilberto Gil); Adriana Calcanhotto interpreta ''Saudade de Amar'', Simone canta ''Maravilha'', Mart'nália reverencia ''Pau-Brasil''; Luiz Melodia homenageia ''O Rei de Ramos''. Outros grandes nomes da música brasileira também integram este segundo volume - que teve início em 1997 com o Álbum Musical 1. Entretanto, certamente três interpretações saltam aos ouvidos tamanha beleza: Mônica Salmaso em ''Mariposa''; Renato Braz em ''Grão de Milho'' e Bibi Ferreira, na única inédita do CD ''Viajante das Almas''.

Sobre os detalhes do disco e projetos em andamento, Francis Hime falou com exclusividade para a Folha2. Confira os principais trechos da entrevista.

Vamos falar sobre o conceito que envolveu a seleção do repertório do Álbum Musical 2?

Na verdade, neste ano, o meu projeto era fazer um disco de inéditas. Mas, minha mulher e produtora Olívia (Hime) me convenceu a fazer nesse formato que resgata músicas lá de trás que não ficaram muito conhecidas em sua maioria, o que confere certo ineditismo para grande parte dos ouvintes. A idéia foi esta, de pegar este período do começo da minha carreira até meados da década de 80 e com músicas das quais eu gosto muito e que eu gostaria de ouvir nas vozes de outros cantores. Ao mesmo tempo, tentando fazer um leque amplo de parceiros.

Para os intérpretes, a gente pode dizer que houve uma ''escolha afetiva'', ou seja, que extrapola os vínculos profissionais?

Sim, exatamente. Alguns cantores eu já tinha em mente. Por exemplo, eu sempre quis ouvir ''Mariposa'' (parceria do maestro com Olívia Hime) na voz de Mônica Salmaso. Então, tem o peso afetivo, além do gosto dos cantores que foi também determinante. Outro critério foi bem intuitivo. Eu fiquei imaginando como seria Ivete Sangalo - que eu não conheço pessoalmente - cantando ''Quadrilha'' (parceria com Chico Buarque), mas tinha certeza de que seria um espetáculo.

Na verdade, também seria uma forma de os cantores de apropriarem um pouco dessas composições...

Exatamente. A interpretação deles faz com que a música, de certa forma, fique como meia parceria. E, às vezes, com direito a mudanças, como foi o caso do Zeca Pagodinho que mudou uma frase do ''Amor Barato'' (parceria com Chico Buarque) e eu achei tão bom. Então, este disco é também uma espécie de oportunidade de encontro amplo de pessoas para festejar a música brasileira. porque é tão bom fazer música. É um disco de produção simples, no sentido instrumental com uma formação mais enxuta, que de certa forma me permitiu agilidade maior na gravação.

É interessante que, embora o CD se pareça com um tributo a Fracis Hime, você participa inteiramente do projeto, nas músicas, tocando piano, elaborando os arranjos...

Eu não vejo tanto como um tributo, pois quando você atua como eu atuei ativamente, deixa de ser tributo. É um trabalho sobre a minha obra. Alguns até chamam e podem chamar de tributo. Mas, eu vejo mais como um trabalho meu sobre essas canções que ficaram lá esquecidas. E, se eu não o fizesse, provavelmente continuariam esquecidas.

Ano que vem você completará 70 anos. Podemos esperar um disco de inéditas?

Já estou pensando aqui no que eu vou fazer. Quero comemorar muito estes ''setentinhas'' (risos). A gente está arquitetando o possível lançamento de uma caixa com toda minha obra. Além disso, em novembro, está programada a execução do meu concerto pra violão e orquestra, que está inédito, e que vai ser tocado por Fábio Zanon - que é o melhor violonista do Brasil na área clássica - com a Osesp. E tem a Ópera do Futebol, um projeto de dez anos, que estou terminando a revisão da orquestração. Agora é só correr atrás de patrocínio - a parte mais difícil (risos).
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