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PONTO DE VISTA
| Bossa Nova hi-tech |
Foto: Divulgação
 A história e as histórias da Bossa Nova são apresentadas no decorrer do pavilhão em fragmentos norteados pela tecnologia
| Aos frustrados com a possibilidade de não ver João Gilberto ao vivo nos seletos shows ocorridos recentemente em São Paulo (14 e 15 de agosto), visitar a exposição ''Bossa na Oca'' pode ser uma boa pedida. Ou não, dependendo da proposta.
Se for para passear na seara bossa-novista, a mostra com curadoria de Carlos Nader e Marcelo Dantas revela um complexo panorama histórico audiovisual desta revolução estética que modificou a música popular entre 1958 e 1964. Contudo, se for ouvir alguma palavra de João Gilberto a respeito do gênero, o barquinho vai por água abaixo. E isso deixa uma lacuna, levando em conta a importância de sua figura emblemática (e ainda atuante) para o período.
A história e as histórias da Bossa Nova são apresentadas no decorrer do pavilhão em fragmentos norteados pela tecnologia. Dezenas de projeções, documentários, sons em confluência, imagens e mais imagens. Uma produção pirotécnica - que cada vez mais tem sido uma constante nas grandes mostras contemporâneas - e interativa, convidando o visitante a, por exemplo, pular da faixa ''Modinha'' (Tom Jobim e Vinicius de Moraes) para a ''Canção do Amor Demais'' (Tom Jobim e Vinicius de Moares) - interpretadas por Elizete Cardoso - apenas com o calor da mão posicionada frente às jukeboxes.
O belo cenário onde o estilo musical ganhava corpo foi reproduzido com o sinuoso desenho do calçadão e a areia de Copacabana banhados pela luz do passar de um dia. O reencontro de Tom Jobim, Astrud Gilberto, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Vinicius de Moraes, Elis Regina, Hermeto Pascoal entre outros nomes ocorre em um palco escuro graças a uma nova técnica de projeção holográfica que possibilitou a versão expandida de ''Garota de Ipanema'', música que nunca tinham tocado juntos.
Proferida por Caetano Veloso, a frase ''Melhor que o silêncio, só João Gilberto'' faz as honras de uma câmara anecóica - espaço de silêncio absoluto, sem qualquer reverberação - preparando os visitantes para ouvir o silêncio existente entre as notas musicais. Ainda no passeio é possível conferir o documentário dirigido por Carlos Nader ''Clarão'', apresentado em sessões contínuas; um enorme mar em movimento projetado na cúpula da Oca enquanto vinis originais são tocados; e outros três filmes que revelam o universo de Tom Jobim, Vinicius de Moraes e outros personagens.
Cinquenta anos de Bossa Nova. Um período de boemia, tardes tranquilas de sol, simplicidade nos arranjos e complexidade de harmonias. Período do cantar baixinho, de belas vozes e violões, de comemorar a vitória da Copa do Mundo. Cinco décadas que revelam o quanto esse jeito de cantar e tocar cruzou fronteiras e influenciou a música em outros continentes. O mais interessante nessa história toda: numa época cujas palavras download, laptop, pen-drive, celular e wi-fi nem sequer existiam. Bastava um banquinho e um violão.
SERVIÇO
- Bossa na Oca Quando - De terça a domingo, até 07 de setembro Onde - Pavilhão Engenheiro Lucas Nogueira (OCA) - Parque do Ibirapuera, em São Paulo
Quanto - R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Mais informações - 4003-2050 | (Publicada originalmente em 24/08/2008, na Folha de Londrina)
Escrito por Lica às 13h04
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