Musiqueira


Céu na Avenida Paulista

Passeando pelo site da Revsita TPM, dou de cara com um link que me despertou total atenção: a cantora Céu comprando discos de vinil em plena Avinda Paulista. Sou descaradamente sua fã, e como toda fã que se preza, saber quais as últimas sonoridades adquiridas por esta cantora de delicados predicados é um prato cheio. Segue abaixo o texto-legenda na íntegra:
 
 
Os discos da Céu
 
A reportagem da revista Tpm levou a cantora Céu para dar uma volta em uma feira de vinis na avenida Paulista e, depois de muito papo bacana, ela saiu carregada de discos. Confira as sugestões da moça (cliancado no vídeo).


Escrito por Lica às 23h05
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Brasil, o país das cantoras

EMBLEMÁTICO - Baseado no histórico Malu Mulher, o especial Mulher 80, dirigido por Daniel Filho, agora é lançado em DVD

Divulgação

Apesar de terem mais de 30 anos, as interpretações são uma representação perfeita do universo feminino na música brasileira
Vozes graves, enérgicas, timbres doces e provocativos. Personalidades ímpares, algumas que jamais se misturariam, assim como a água e o azeite. Entretanto, com dois pontos em comum: todas são mulheres e fizeram da arte - do canto, especialmente - sua expressão maior de vida.

Elis Regina, Simone, Gal Costa, Maria Bethânia, Rita Lee, Fafá de Belém, Marina, Zezé Motta, Joanna, Quarteto em Cy (com Dorinha Tapajós, Cyva, Cynara e Sônia) e Regina Duarte compõem este cenário dirigido por Daniel Filho.

Agora em DVD, lançado pela gravadora Biscoito Fino, Mulher 80 foi exibido em uma Sexta Super, na Rede Globo, no final de 1979, período fértil para que nomes fossem despontados na música brasileira enquanto outros ampliavam seu público. No primeiro caso, Marina Lima, Joanna e Angela RoRo desfrutavam do reconhecimento de seu talento, enquanto Maria Bethânia, Gal Costa, Rita Lee e Simone resplandeciam em suas respectivas carreiras.

O ponto de partida para o especial foi o seriado Malu Mulher, protagonizado pela atriz Regina Duarte e também dirigido por Daniel Filho. Na época, véspera dos anos 80, os temas considerados tabus eram abordados nos episódios que contavam a trama e os dramas de Malu, uma mulher que decidiu se divorciar enfrentando o preconceito da sociedade e as revoltas da filha adolescente Elisa. Entre outros assuntos, questões como direito sobre o corpo, jornada dupla de trabalho, igualdade entre os sexos, virgindade e pílula anticoncepcional prendiam a atenção dos telespectadores no horário nobre da TV brasileira.

Tanto a trilha sonora do seriado quanto a direção musical do especial foram assinados por Guto Graça Mello. Como relata Daniel Filho na entrevista do DVD, o programa Mulher 80 foi sendo criado durante a gravação, cujo principal desafio era colocar todas aquelas mulheres juntas no mesmo palco, montado no Teatro Fênix, sem que nenhuma se destacasse como estrela única. ''Uma idéia impossível que se tornou realidade'', orgulha-se o diretor.

O roteiro do especial tem como fio condutor a atriz Regina Duarte apresentando cada artista e apontando temas que dão margem aos comentários de cada cantora, seguidos de suas interpretações musicais. Simone é quem dá início ao show na comovente ''Começar de Novo'' (Ivan Lins e Vitor Martins), que também é a música de abertura do Malu Mulher. Na sequência, explicitamente tropicalista, surge Gal Costa apresentando ''Paula e Bebeto'' (Caetano Veloso e Milton Nascimento); Fafá de Belém, toda solta em uma cadeira de balanço invoca ''Que me Venha esse Homem'' (David Tygel e Bruna Lombardi).

Joanna, com voz e violão, canta ''Seu Corpo'' (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), enquanto o Quarteto em Cy e a então estreante atriz Narjara Tureta (Elisa, no seriado) interpretam ''Feminina'' (Joyce), em um dos cenário do Malu Mulher. A linda voz de Zezé Motta, que se emociona ao se lembrar do pai, ganha mais corpo quando apresenta ''Pecado Original'' (Caetano Veloso).

Marina Lima solta a voz enquanto Angela RoRo toca piano em ''Não há Cabeça'' (Angela RoRo). Maria Bethânia, antes de cantar ''Álibi'' (Djavan), tendo como pano de fundo o violão de Rosinha Valença, assume sua personalidade intensa: ''Deve ser difícil conviver comigo''. Rita Lee, a mais descontraída e piadista durante as gravações, entoa a imortal ''Mania de Você'' (Rita Lee e Roberto de Carvalho). O Furacão Elis, se desmonta ao desejar que a vida de sua filha Maria Rita - na época, com três anos de idade - fosse leve, interpretando em seguida ''O Bêbado e a Equilibrista'' (João Bosco e Aldir Blanc) e um trecho de ''Maria Maria'' (Milton Nascimento).

Para desdobrar toda essa gangorra emocional, o programa se encerra com todas as participantes ao palco cantando de mãos dadas a música composta em 1966, por Adalberto Ribeiro, João de Barro e Lamartine Babo: ''Cantores do Rádio'', consagrada nas vozes de Carmem Miranda e Aurora. Como justificativa democrática, Daniel Filho revela que a canção era de conhecimento comum, não integrava o repertório de nenhuma delas e era um emblema do que representavam.

Mulher 80, por mais datado que seja, é a mais perfeita representação do universo feminino inerente à música popular brasileira.

 
(Publicada originalmente em 20/04/2008, na Folha de Londrina)


Escrito por Lica às 17h32
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Olívia declara ''Guerra'' no palco

ENTREVISTA - Em CD e DVD, a cantora e compositora Olivia Hime interpreta ao vivo composições do cineasta e dramaturgo Ruy Guerra em parceria com grandes nomes da música brasileira

Reprodução
Kelsen Fernandes / Divulgação

‘‘São duas formas diferentes de se relacionar com o mesmo trabalho, seria como nadar no rio e nadar no mar’’, explica a cantora para referenciar os novos arranjos do projeto
''Por amor andei já/ Tanto chão e mar/ Senhor, já nem sei/ Se o amor não é mais/ Bastante pra vencer/ Eu já sei o que vou fazer/ Meu senhor uma oração/ Vou cantar para ver se vai valer...''. E Olivia Hime dá a voz - agora, ao vivo - às letras daquele que, segundo ela, cantou como poucos a mulher, a morte e o mar.

''Palavras de Guerra Ao Vivo'' é uma consistente elegia ao lirismo do dramaturgo, cineasta e diretor de cinema Ruy Guerra.

Lançado pela gravadora Biscoito Fino, o projeto com arranjos e direção musical assinados por Francis Hime foi compilado em CD e também em DVD (Canal Brasil).

O espetáculo segue como um passeio calcado nas composições dos anos 70, em que o moçambicano estabeleceu parcerias diversas, entre elas com Chico Buarque, Carlos Lyra, Sérgio Ricardo, Francis Hime e Edu Lobo - como em ''Reza'', trecho citado no início do texto.

A interpretação de Olívia no palco endossa a dramaticidade do espetáculo permeado de belíssimas sonoridades que ligam o Brasil a Portugal e a África. Os arranjos para harpa (Cristina Braga), viola e violão (João Lyra), piano e acordeom (João Carlos Coutinho), contrabaixo (Ricardo Medeiros), e bateria/percussão (Ricardo Medeiros), fazem pano de fundo para esta ''antologia poética'' de Guerra com direção geral de Flávio Marinho.

Nos extras do DVD, making of do show e o documentário ''À Respeito de Ruy'', com depoimentos de Andrucha Waddington, Carlos Lyra, Chico Buarque e Francis Hime, além de algumas inserções do próprio Ruy Guerra. A seguir, leia os principais trechos da entrevista que a cantora e compositora Olivia Hime concedeu à Folha2.

Ruy Guerra cineasta, dramaturgo e diretor de cinema versus letrista. Este projeto seria mais uma maneira de dar voz ao lirismo do Guerra?

Eu acho que o Ruy ficou ''linkado'' aos anos 70 porque ele resolveu parar de escrever, só por isso. Pois se ele tivesse continuado ele teria prosseguido com essa carreira lindíssima. Mas, a idéia de trazê-lo não é nem para lembrar que ele é o máximo. É porque eu queria dar uma olhada nos anos 70 - um momento muito fértil da música brasileira - através de algum ângulo, alguma câmera que não fosse aleatoriamente escolher músicas. Quando eu me lembrei do trabalho do Ruy me pareceu muito apropriado porque, além de ele ser parceiro de pessoas muito representativas desta década, ele entra nos anos 70 com letras muito diferentes do que até então existia. Com imagens cruas e, ao mesmo tempo, muito sensuais e doces. Ele tem essa coisa do agridoce, que é próprio de sua personalidade.

Enfim, suas letras soam como poesia...

Sim, ele é um dos letristas em que a poesia sobrevive como poesia. Tem algumas letras que são soberbas com a música, mas não fazem muito sentido como leitura. As do Ruy, quase todas sobrevivem como poesia.

A parceria entre o Ruy Guerra e o Francis Hime é vasta. Foi pensada a possibilidade de reunir apenas músicas dos dois?

Foi bom você ter me perguntado isso. Primeiro eu pensei nos anos 70, então eu me lembrei do Ruy. Então percebi que eles tinham um trabalho muito consistente e pensei em gravar um CD sobre os dois, mas logo pensei que estaria me afastando dos anos 70. Foi quando eu abandonei esta idéia e me foquei em outras parcerias além do Francis, com olhar mais abrangente onde entra Chico Buarque, Edu lobo, Carlos Lyra, e vários outros.

Você já gravou Chiquinha Gonzaga, Dorival Caymmi, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira, o que acaba revelando uma predileção a álbuns conceituais. De que maneira ''Palavras de Guerra Ao vivo'' foi idealizado quanto à amarração de roteiro e arranjos musicais?

O Francis é muito bom de roteiro, é um dom que ele tem, um cuidado em ligar as tonalidades. Os arranjos a gente elabora juntos o tempo inteiro, ele me dá esse espaço para que eu opine o que eu quero, da forma que eu quero. Por exemplo, eu disse que queria misturar harpa com viola caipira, porque isso é um pouco de mim e um pouco do Ruy. Eu pedi a ele essa instrumentação de violão, viola, baixo com harpa, acordeom, piano, essa mistura... E foi um desafio, pois ele reescreveu todos os arranjos para o show, é tudo diferente do disco de estúdio - o que eu acho interessante. A gente tem que apresentar ao público um novo trabalho. São duas formas diferentes de se relacionar com o mesmo trabalho, seria como nadar no rio e nadar no mar.

(Publicada originalmente em 06/04/2008, na Folha de Londrina)


Escrito por Lica às 17h29
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